- Artistas
- Airton
- Allan Pinheiro
- Ana RayLander Mártis dos Anjos
- André Bastos
- Angelo Hipólito Neto
- Arlindo Oliveira
- Coco Fusco
- Coletivo RJ Memória
- Coletivo dos presos políticos da Frei Caneca
- Daniela Machado Cardoso
- Elian Almeida
- Heitor dos Prazeres
- Jaime Lauriano
- Jarbas Rodrigues
- Leonardo Lobão
- Lico
- Luiz Ribeiro dos Santos
- Marketing Revoada
- Mulheres Possíveis
- Nô Martins
- Robson Muniz e Waldemir Quirino [Museu Penitenciário do Estado do Rio de Janeiro]
- Rosangela Rennó
- Verdade Justiça e Reparação
- Vitor Martins Thabit Wadau
O avesso dos avessos da liberdade
Investigando questões relativas ao encarceramento penal e manicomial, a exposição Os avessos do avesso da liberdade reúne trabalhos de artistas, terapeutas, curadores e educadores, buscando disparar uma reflexão coletiva sobre este tema que é tão urgente quanto silenciado. A mostra apresenta obras e arquivos que, para além de testemunhar sobre a violência da opressão em prisões e manicômios, também ressaltam as muitas maneiras possíveis que os corpos e subjetividades encontram de manifestar sua liberdade e sua humanidade.
Enquanto por um lado, a exposição reflete sobre o papel sistêmico das leis e dos diagnósticos – do Estado e da ciência – no processo de desumanização das pessoas encarceradas, por outro, também destaca o papel da arte, da cultura e do aprendizado como formas de cuidado, transformação e reafirmação da condição humana. Aqui, reconhecemos exemplos históricos e contemporâneos ligados à luta antimanicomial, assim como realçamos realçamos e também práticas de liberdade desenvolvidas em espaços prisionais e por pessoas egressas do sistema carcerário.
Os elementos reunidos nesta mostra evidenciam como a liberdade é sempre contextualmente negociada e nunca garantida, acontecendo nas brechas entre desejo e poder – experiências que se distinguem radicalmente de acordo com as categorias sociais de gênero, raça e classe social. No Brasil, terceiro país que mais encarcera no mundo, quase 70% da população carcerária são negros, o que faz da prisão a reiteração dos dispositivos coloniais de exclusão, aniquilação e imobilidade social. Neste sentido, esta exposição também procura demonstrar as diferenças sociais evidenciadas nos termos jurídicos e científicos que, enquanto asseguram a liberdade de alguns, legitimam procedimentos punitivistas de encarceramento e a manicomialização de outros.
Em 2025, ano em que celebramos os 10 anos do Solar dos Abacaxis, toda a nossa programação será dedicada aos estudos das questões relativas à liberdade. Essa mostra deve ser compreendida como o primeiro gesto de um movimento mais amplo, que se desdobrará ao longo do ano em debates, oficinas, seminários e outras exposições. Ao iniciar este ano pel’Os avessos do avesso da liberdade, o Solar reafirma a Liberdade como valor fundamental de nossas práticas e relembra que ninguém será livre até que todos possam igualmente ser livres.
Bernardo Mosqueira, Izabela Pucu e Matheus Morani